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Projeto internacional sobre evolução com participação portuguesa distinguido com 1,1 milhões de euros

15/04/2020. Texto de Marta Daniela Santos, adaptado a partir do comunicado de imprensa por Ana Simões (FCUL) e Ana Morais (IGC).

Na imagem: A equipa do projeto, da esquerda para a direita: Claudia Bank (Instituto Gulbenkian de Ciência, Portugal); Chelsea Rochman (Universidade de Toronto, Canadá); Molly Schumer (Universidade de Standford, EUA); Vítor Sousa (Universidade de Lisboa, Portugal).

Como é que o cruzamento entre espécies, e as alterações genéticas que daí resultam, podem impulsionar a evolução? É a esta grande questão da Biologia a que vai procurar responder o projeto internacional agora distinguido pelo Human Frontier Science Program com uma bolsa Young Investigator, que corresponde a um financiamento total de cerca de 1,1 milhões de euros para os próximos três anos.

Reunindo investigadores de renome de Portugal, dos EUA e do Canadá, este projeto vai estudar quais as consequências para a evolução do cruzamento entre diferentes espécies. Um exemplo familiar deste processo, a que também se chama de hibridação, é a mula, que resulta do cruzamento entre o cavalo e o burro. Se antes se achava que o cruzamento entre espécies era raro e não contribuía muito para a sua evolução, uma vez que podia resultar em problemas genéticos – as mulas, por exemplo, são estéreis – hoje em dia sabe-se que a hibridação é relativamente comum, com evidências genéticas da sua existência em diversas espécies – até na nossa.

“Há muitos casos de populações com genes de espécies diferentes. Por exemplo nós, seres humanos, temos entre 2% a 4% de genes de Neandertal”, explica Vítor Sousa, investigador do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e um dos investigadores deste projeto. Estes factos levaram a comunidade científica a questionar-se: como é que os híbridos conseguem tolerar genes incompatíveis de duas espécies diferentes? Será que existem condições em que a hibridação pode trazer vantagens e permitir uma melhor adaptação ao ambiente?

O projeto intitula-se “Acaso ou maldição? As consequências da hibridação num mundo em mudança”, e fazem também parte da equipa as investigadoras Claudia Bank, investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência – IGC e do Institute for Ecology and Evolution da Universidade de Berna, na Suíça; Chelsea Rochman, professora na Universidade de Toronto, no Canada; e Molly Schumer, professora na Universidade de Stanford, nos EUA e coordenadora do projeto.

A equipa interdisciplinar vai focar-se no estudo de espécies de peixes de água doce que hibridam e vivem em diferentes ambientes, para compreender como é que eles respondem a vários fatores de stress ambiental – como as alterações climáticas ou contaminantes químicos, por exemplo, entre outros – e quais os mecanismos genéticos que utilizam para o fazer.

Neste projeto os investigadores vão estudar peixes de água doce que hibridam e vivem em diferentes ambientes: à esquerda, peixes do género Xiphophorus, do México (©: Molly Schumer); à direita, Peixes do género Squalius, em Portugal (©: Carla Sousa-Santos).

“Esta bolsa vai-nos permitir desenvolver novas linhas de investigação, combinando abordagens que vão desde a matemática à genómica e à química ambiental, para abordar uma questão de longa-data em biologia evolutiva”, explica Vítor Sousa, investigador do cE3c em Ciências ULisboa.

Para Claudia Bank, do Instituto Gulbenkian de Ciência, este projeto representa uma oportunidade para aplicar a sua experiência em modelação matemática a um sistema real de peixes híbridos: “É uma honra receber este prémio e trabalhar com esta equipa internacional de jovens cientistas de renome”, destaca a investigadora.

Este ano o Human Frontier Science Program atribuiu oito bolsas Young Investigator, tendo este programa recebido mais de uma centena de candidaturas. Os candidatos passaram por um rigoroso processo de seleção que durou cerca de um ano. Estas bolsas têm como objetivo promover novas abordagens para problemas em Biologia fundamental com equipas de investigadores de diferentes nacionalidades e diferentes áreas científicas.

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