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Novo estudo avalia os serviços ecossistémicos atualmente associados às áreas florestais dos Açores

Na imagem: Mancha Florestal Açores (Fotografia de Rui Bento Elias)

Novo estudo avalia os serviços ecossistémicos atualmente associados às áreas florestais dos Açores

Um grupo de investigadores em ecologia da Universidade dos Açores, acaba de publicar um artigo na revista científica Scientific Reports (Borges Silva et al. 2022) avaliando alguns dos serviços ecossistémicos atualmente associados às áreas florestais dos Açores.

Esta investigação foi realizada no âmbito do projeto Towards an Ecological and Economic valorization of the Azorean Forest – Forest-Eco2 (n.º ACORES-01-0145-FEDER-000014) financiado em 85% pelo Programa Operacional AÇORES 2020, e em 15% pelo Orçamento da Região Autónoma dos Açores, através da DRCT. Um projeto de teor científico liderado por Luís Silva (CIBIO, Universidade dos Açores), e com a participação de Rui Bento Elias (GBA-CE3C, Universidade dos Açores), que pretendeu quantificar o valor ecológico e económico da floresta dos Açores, e sugerir medidas para, futuramente, valorizar e utilizar os recursos florestais, de forma sustentável.

Borges Silva e colaboradores avaliaram a diversidade vegetal (número de espécies de árvores, arbustos, plantas herbáceas e fetos), a diversidade estrutural (como se distribuía a biomassa lenhosa pelas diferentes espécies arbóreas) e o armazenamento de carbono (no solo, na manta-morta e nas árvores) num gradiente de três tipos de floresta - Floresta Natural, Bosques de Incenso e Matas de Criptoméria, em três ilhas do arquipélago dos Açores - São Miguel, Terceira e Pico. Para dar resposta a estes objetivos os investigadores amostraram um total de 90 povoamentos florestais, 30 em cada uma das três ilhas, sendo 10 por cada tipo de floresta, por ilha.

Borges Silva e colaboradores obtiveram os seguintes resultados: i) as florestas naturais abrigam os níveis mais elevados de diversidade taxonómica e estrutural e as matas de criptoméria os níveis mais baixos. (ii) em São Miguel o maior armazenamento de carbono lenhoso foi encontrado em bosques de Incenso, mas no Pico e na Terceira as matas de criptoméria exibiram os valores mais elevados; (iii) o maior armazenamento de carbono na folhada ocorreu nas matas de criptoméria; (iv) apesar do maior armazenamento de carbono no solo ter sido encontrado nas matas de incenso, os valores foram relevantes nos três tipos de floresta.

Os autores concluíram que as florestas naturais têm um papel fundamental na preservação da diversidade vegetal, em termos de plantas nativas e endémicas. As matas de criptoméria constituem ativos económicos e atuam como sumidouros de carbono. Os bosques de incenso desempenham um papel importante como sumidouros de carbono no solo, mas também ao nível arbóreo, nos bosques mais antigos. No entanto, o papel das florestas de exóticas na preservação da biodiversidade é globalmente negativo, devendo estas ser substituídas por florestas naturais, ou de produção, onde tal seja possível. As florestas açorianas poderão desempenhar um importante papel na mitigação dos efeitos das alterações climáticas, pelo que a sua área de distribuição deve aumentar, especialmente em áreas pouco adequadas às atividades agrícola e pecuária, bem como ao longo de linhas de água, onde poderão funcionar como uma zona de proteção, contribuindo para a acumulação de carbono.

Artigo: 

Silva, L.B., Pavão, D.C, Elias, R.B., Moura, M., Ventura, M.A. & Silva, L. (2022) Taxonomic, structural diversity and carbon stocks in a gradient of island forests. Scientific Reports, 12, 1038. DOI: 10.1038/s41598-022-05045-w

Link:

https://www.nature.com/articles/s41598-022-05045-w

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