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Ajude os cientistas a descobrir algumas das cigarras menos conhecidas de Portugal

5/07/2021. Texto de Marta Daniela Santos, Paula Simões e Vera Nunes. Na imagem: Macho de cigarra-verde-do-Alentejo (Euryphara contentei), a cigarra mais ameaçada do país. Pequena e discreta, esta cigarra canta em vegetação baixa, nalguns casos limitada a estreitas faixas de vegetação ao longo da estrada. ©: Vera Nunes. 

Sabia que em Portugal vivem 13 espécies de cigarras? Da próxima vez que ouvir o canto de uma cigarra, faça um registo áudio ou vídeo e partilhe-o connosco, juntamente com a localização GPS, na plataforma Biodiversity4All: vai ajudar-nos a criar um mapa atualizado da distribuição geográfica destas espécies, entre elas a cigarra mais ameaçada do país.

Foi no verão de 2019 que a equipa do projeto Cigarras de Portugal lançou o primeiro desafio aos portugueses: gravar o canto das cigarras que ouvissem no seu dia-a-dia ou em férias e partilhar com estes cientistas. É nesta estação quente que as cigarras emergem do solo, onde passam anos em desenvolvimento. Os machos cantam incessantemente durante as curtas semanas de vida adulta que lhes restam para atrair as fêmeas para o acasalamento. E é através deste canto que é possível mapear onde vivem, pois o canto é específico de cada espécie.

“Em 2019 recebemos centenas de observações, mas poucas das espécies menos conhecidas”, explica Paula Simões, responsável pelo projeto, investigadora do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Macho de cigarra-verde-do-Alentejo (Euryphara contentei), a cigarra mais ameaçada do país. Pequena e discreta, esta cigarra canta em vegetação baixa, nalguns casos limitada a estreitas faixas de vegetação ao longo da estrada. ©: Vera Nunes.

Em 2021, o projeto Cigarras de Portugal quer descobrir em particular onde se encontram algumas das espécies mais raras e que se encontram ativas sobretudo em junho e julho – entre elas a cigarra-verde-do-Alentejo (Euryphara contentei), a cigarra mais ameaçada do país. É a cigarra mais pequena conhecida em Portugal – em média, tem apenas 17 milímetros de comprimento – e canta em vegetação baixa, nalguns casos limitada a estreitas faixas de vegetação ao longo da estrada.Como o seu nome indica, as poucas populações conhecidas desta espécie encontram-se na região do Alentejo, em particular perto de Beja e Estremoz.

“Quando em 2019 visitámos os poucos locais onde existe esta cigarra, percebemos que os números eram extremamente reduzidos. Em 2020não houve registos desta espécie por conta da pandemia, mas em junho de 2021 regressámos aos locais e registámos uma melhoria importante. Agora queremos perceber se estas flutuações são cíclicas e se estão ou não associadas a variações climáticas ou mudanças no habitat”, explica Vera Nunes, que também faz parte do projeto, investigadora do cE3c na Ciências ULisboa.

Outro exemplo é o cegarregão-abelhudo (Hilaphura varipes): também uma espécie rara em Portugal, da qual existem alguns registos não só no Alentejo, mas também em Lisboa e no Algarve, e que os cientistas procuram localizar através desta campanha.

À esquerda, Cegarregão-abelhudo (Hilaphura varipes) e, à direita, cigarra-verde-do-Alentejo (Euryphara contentei). Ambas são espécies raras em Portugal. ©: Vera Nunes.

Monitorizar as cigarras não é uma tarefa fácil: para além da escassez de recursos humanos, acresce a dificuldade de o trabalho de campo se concentrar nos poucos meses em que as cigarras emitem o seu canto, entre junho e agosto – mas junho é um mês que pode ainda apresentar dias chuvosos e frescos, em que as cigarras permanecem silenciosas. Este ano, as dificuldades são acrescidas pelas restrições de circulação necessárias devido ao evoluir da pandemia, que coincidem agora com a época de atividade das cigarras. O contributo de todosé assim essencial para ultrapassar estas dificuldades.

“Estamos também a procurar estabelecer parcerias com associações locais para promover o conhecimento sobre as cigarras e a estabelecer redes de cidadãos conhecedores que possam garantir a monitorização anual das populações de cigarras. Se gostava de colaborar connosco, contacte-nos!”, acrescenta Paula Simões. Vai também ser lançado um concurso de fotografia para promover as espécies e premiar os melhores registos, sobre o qual será em breve disponibilizada mais informação.

Submeta os seus registos áudio ou fotográficos de cigarras na plataforma Biodiversity4All: uma comunidade para naturalistas que pretende unir o maior número de pessoas no conhecimento da biodiversidade e em que, após criar uma conta, pode registar as suas observações. Os dados recolhidos ajudam cientistas e gestores ambientais a saber onde e quando as espécies ocorrem.

Pode colocar as suas dúvidas através das redes sociais do projeto Cigarras de Portugal - no Instagram, no Facebook ou no Twitter –, onde vai sendo partilhada informação detalhada sobre as espécies e como recolher os registos, ou contacte-nos através do e-mail cigarrasdeportugal@gmail.com .

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