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Best Poster Award 2020: Entrevista a André Pinto da Silva


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21/10/2020. Entrevista por Marta Daniela Santos. Na imagem: André Pinto da Silva em trabalho de campo na Índia. ©: Surabhi Nadig.

É com André Pinto da Silva que começamos uma série de entrevistas semanais com os investigadores que receberam distinções na 6ª edição do Encontro Anual do cE3c, que se realizou a 1 e 2 de outubro de 2020, online!

André Pinto da Silva, do grupo Evolutionary Genetics do cE3c, foi distinguido com o Best Poster Award, por votação de todos os participantes no Encontro Anual, como primeiro autor do poster Forest loss inside protected areas: Origin, extent and Effect on the mammal community in Northeast India.

Tem estudado a ecologia e genética da conservação de mamíferos um pouco por todo o mundo, tendo inúmeras histórias para contar do trabalho que já desenvolveu com espécies da Europa, África e Ásia.

Está no último ano do seu doutoramento, que desenvolve entre a Suécia, Portugal e Índia –aqui, onde estuda os mamíferos terrestres deste subcontinente e procura contribuir para a adaptação de estratégias de conservação espaciais, como as áreas protegidas, às mudanças ambientais globais.

 

No que consiste o trabalho que apresentaste no Encontro Anual? [poster disponível à esquerda]

Na maior parte dos casos a eficácia de uma área protegida é medida através da comparação de taxas de desflorestação dentro e fora de áreas protegidas. Porém é mais difícil perceber se essa perturbação tem efeito na comunidade animal, e se esse efeito é positivo ou negativo. É isso que estamos a tentar perceber nas áreas protegidas do nordeste da Índia se a utilização do espaço pela comunidade mamíferos terrestres é, e de que forma, influenciada pela proximidade a zonas perturbadas por perda de floresta.

Ao longo do teu percurso tens trabalhado na ecologia e conservação de mamíferos na Europa, em África e na Ásia. O que te levou a escolher esta área de investigação?

O meu objetivo é contribuir para conservação da biodiversidade. O foco nestas áreas e espécies é essencialmente a vontade de querer contribuir para desenvolver conhecimento sobre espécies e áreas para as quais ainda existe pouca informação científica. Penso que no futuro esse conhecimento mais alargado a vários ecossistemas permitirá sugerir diretivas de conservação de biodiversidade e sustentabilidade mais eficazes.

Espécies já estudadas por André Pinto da Silva ao longo do seu percurso académico. ©: André P. Silva, Surabhi Nadig e Navya R.

O teu projeto tem uma forte componente de trabalho de campo. Tens alguma história curiosa que queiras partilhar?

Marta, essa é uma pergunta difícil - são tantas histórias! Não sei como escolher! O que te posso dizer é que na maior parte dos dias em que fizemos trabalho de campo tínhamos uma história para contar. Como tivemos trabalho de campo a decorrer durante dois anos, imagina o número de histórias que te poderia contar. Posso dizer-te, no entanto, que um dos momentos que mais me marcou foi viver durante dois meses numa aldeia com uma tribo de Nagaland - foi uma imersão profunda numa cultura completamente diferente, algo que ainda hoje ao olhar para trás me custa a acreditar que foi real.

Alguns registos do trabalho de campo desenvolvido por André Pinto da Silva na Índia. ©: André P. Silva e Surabhi Nadig.

De que forma é que a atual pandemia COVID-19 tem afetado o teu trabalho e que estratégias tens desenvolvido para contornar estas limitações?

Na verdade, tenho tido a sorte de as minhas rotinas e projetos não terem sido muito influenciados pela pandemia, tem até facilitado a comunicação com alguns grupos de trabalho no estrangeiro agora que a maior parte das interações é feita online. Algo onde notei uma demora fora do normal foi no tempo de revisão de artigos por parte de algumas revistas. Acredito que isso pode ser particularmente difícil para estudantes que precisem de uma publicação aceite numa revista para terminar o doutoramento.

Divides o teu doutoramento entre a Suécia, a Índia e Portugal. Quais têm sido as mais-valias e os desafios de desenvolveres o teu projeto de doutoramento entre estes três países?

Adorei que tenhas feito esta pergunta. A possibilidade de ver e trabalhar em realidades tão distintas é uma das maiores aprendizagens do meu doutoramento. A possibilidade de ver que mais que certo ou errado existe uma diversidade enorme de diferentes contextos sociais, culturais, económicos, científicos e que todos tens os seus pontos positivos e negativos tem me tornado muito mais completo a nível pessoal e científico. Passei também a valorizar ainda mais as pequenas conquistas que são feitas em contextos económicos e sociais desfavorecidos. No entanto, não nego que essa parte positiva veio através de experiências muito desafiantes principalmente ao nível cultural e ao choque de diferentes formas de trabalhar.

O que significa para ti receber este prémio?

Tem um significado especial. O esforço para desenvolver todo este projeto de raiz e na Índia tem sido extremamente desafiante e por isso completar todo o processo até à publicação dos resultados demora bastante. Estas pequenas conquistas são por isso bastante importantes para manter uma alta motivação.

Completa a frase: Para mim, fazer parte do cE3c significa…

Fazer parte de um grupo que está dedicado a melhorar. Existe uma evolução visível quando se compara o centro de agora com o centro de há uma década – esse feeling é bom!

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