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Best Talk Award 2019: Entrevista a Paula Gonçalves

21/08/2019. Entrevista por Marta Daniela Santos.

Paula Gonçalves (CSES-cE3c) foi distinguida com o Best Talk Award na edição de 2019 do Encontro Anual do cE3c (1-2 julho, MUHNAC), pela apresentação “Socio-ecological performance of Lisbon urban parks: an indicator approach framed by the BCD concept”. Paula Gonçalves foi distinguida em ex-aequo com Joana Hancock. Este prémio pretende distinguir a melhor apresentação por um membro associado do centro, por decisão da Comissão Executiva.

Paula Gonçalves está a desenvolver o seu doutoramento na área da Ecologia Urbana, no âmbito do Programa Doutoral em Biodiversidade, Genética e Evolução (BIODIV), que iniciou em 2015. No seu projeto de investigação, Paula Gonçalves tem por objetivo relacionar a diversidade funcional dos parques urbanos de Lisboa ao bem-estar humano.

No que consiste o trabalho que apresentaste no Encontro Anual?

Consiste no desenvolvimento de um conjunto de indicadores que permita olhar para os espaços verdes do ponto de vista da diversidade biocultural, ou seja, da totalidade das interações entre diversidades biológica e cultural. Não numa perspetiva de avaliar o espaço em relação a padrões pré-estabelecidos ou proporcionar diretrizes mas apenas de compreender como o espaço verde se comporta num determinado contexto, cabendo aos decisores  definir as suas próprias linhas de orientação e estabelecer os objetivos pretendidos para o espaço, atendendo às necessidades sócio-ecológicas e à função pretendida para o local. Assim, este conjunto de indicadores pode ser utilizado como uma ferramenta de apoio à decisão no planeamento e gestão de espaços verdes urbanos em qualquer contexto.

 

Quais são os principais desafios deste trabalho?

Tentar operacionalizar um conceito por si só complexo e que, na sua essência, diz respeito a processos intangíveis relacionados com o modo como as pessoas vivem e experienciam a sua relação com a natureza. O que está muito afastado da nossa vocação primária como biólogos, mas que teremos que assumir como essencial num mundo cada vez mais antropocénico.

Porque escolheste esta área de investigação?

A Ecologia Urbana é uma área de conhecimento em franca expansão, altamente complexa na sua vertente sócio-ecológica, com o aliciante de a aplicação do conhecimento ter influência direta na vida das pessoas. E não andamos todos nisto para tentar salvar o Mundo?

Nos teus resultados, que aspectos mais te surpreenderam sobre a percepção e utilização dos parques urbanos de Lisboa?

Essencialmente dois aspetos. O de que a perceção que as pessoas têm da biodiversidade do espaço não está tão relacionada com o que nós, estudiosos do assunto, definimos como biodiversidade, seja riqueza ou diversidade de espécies, mas antes com uma perceção da qualidade do espaço, mais ligada a questões como limpeza, manutenção, perceção de segurança. Outro foi a constatação da existência de processos de auto-exclusão, em que as pessoas não frequentam certos espaços verdes por sentirem que não pertencem ali, por não se sentirem à vontade no ambiente.E que esses processos são transversais à maioria dos parques estudados e incidem principalmente sobre as pessoas mais vulneráveis, como as mais idosas e menor níveis de escolaridade, o que se torna ainda mais preocupante sabendo o papel importante que os espaços verdes têm na saúde e bem-estar. Aliás, o que mais me surpreendeu no trabalho não foram propriamente os resultados mas a constatação, no decorrer das conversas com os utilizadores, do "poder" que a natureza exerce sobre o bem-estar psicológico e emocional, mesmo num formato de amostra de natureza domesticada. "Eu venho para aqui com problemas e saio daqui sem eles". É a resposta que resume tudo. E que, provavelmente, me tornou muito cara esta componente social do bem-estar. 

O que significa para ti receber esta distinção?

Que, em 10 minutos, consegui transmitir com eficácia um conceito e uma operacionalização por si complexas e difíceis de compreender, até por nós ao início, e isso transmite a confiança de estar no bom caminho.

Completa a frase: Para mim, fazer parte do cE3c significa...

fazer parte de uma Grande equipa. 

Ao longo de um doutoramento podem surgir períodos de maior stress ou menos confiança. Gostarias de deixar algum conselho a outros estudantes de doutoramento para melhor ultrapassarem esses períodos?

Sai e vai dar um passeio ao parque. Parece que funciona! 

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