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Estudo sobre biodiversidade dos morcegos é capa da revista científica Mammal Review

22/06/2017. Texto traduzido e adaptado do comunicado enviado pela Universidade de Helsínquia.

Na fotografia: Hipposideros cf. commersoni, no Tsimanampetsotsa National Park, no sudoeste de Madagáscar. Fotografia de Adrià López-Baucells.

Um novo estudo (*) liderado pelo investigador cE3c Ricardo Rocha (do grupo Conservation Ecology) investiga as lacunas que existem no conhecimento dos morcegos endémicos de ilhas: um grupo amplamente desconhecido e muito ameaçado.

Os ecossistemas de ilhas desenvolvem faunas peculiares, que frequentemente incluem um grande número de espécies únicas. É também nas ilhas que se encontram alguns dos habitats mais vulneráveis do mundo. Os morcegos são uma componente importante das faunas insulares de vertebrados e, como destaca Ricardo Rocha, “desempenham um papel importante na manutenção dos ecossistemas das ilhas através da dispersão de sementes, polinização e supressão de pragas de artrópodes”.

Este estudo, capa da mais recente edição da revista científica Mammal Review, faz uma revisão do conhecimento existente sobre as 310 espécies de morcegos exclusivos de ilhas, para averiguar quais as espécies que têm sido descuradas pela investigação científica.

As pressões causadas pela atividade do Homem, como a perda de habitat e a caça para consumo humano, constituem uma ameaça severa para estas espécies: todas as extinções de espécies de morcego causadas pelo Homem ocorreram em ilhas. O conhecimento da biologia destas espécies e do seu estado de conservação é da maior importância para o desenvolvimento de planos de conservação bem-sucedidos.

Neste estudo, os investigadores recolheram informação sobre a distribuição dos morcegos e o seu estado de conservação, e quantificaram o número de publicações científicas dedicadas a cada espécie. Descobriram que a investigação dedicada especificamente a espécies de morcego restritas a ilhas é muito escassa, e está centrada em espécies sobre as quais a preocupação com a sua conservação é menor.

“Regiões ricas em morcegos insulares endémicos, como as ilhas do Sudeste Asiático e da Oceânia, estão amplamente inexploradas. As espécies que vivem nestas regiões não só estão a ser negligenciadas pela investigação científica como estão em perigo de extinção; assim, tanto estas espécies como as ilhas em que vivem constituem uma prioridade para a investigação”, explica Irene Conenna, da Universidade de Helsínquia (Finlândia). Um exemplo é a espécie Pharotis imogene, endémica da Nova Guiné, que se acreditava estar extinta há 120 anos e que apenas recentemente foi de novo descoberta.

A conservação da biodiversidade é mais eficaz quando se baseia no conhecimento sólido da biologia das espécies. No entanto, diversas restrições sociais e logísticas afastam os esforços de investigação das prioridades de conservação. O estudo agora publicado pretende direcionar futuros estudos científicos para as atuais prioridades para a proteção da biodiversidade dos morcegos. Como nota positiva, a investigação científica parece contribuir para a melhoria do estado de conservação das espécies alvo destes estudos: “Canalizar financiamento e esforços de investigação para as espécies e ilhas agora identificadas como prioritárias permitiria ajustar as ações de conservação e, como consequência, impedir o declínio destas populações”, explica Ricardo Rocha.

(*) Conenna, I., Rocha, R., Russo, D. & Cabeza, M. (2017) Island endemic bats and research effort: a review of patterns and priorities worldwide. Mammal Review 47: 169–182 DOI: 10.1111/mam.12090 http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/mam.12090/full


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