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cE3c recebe duas bolsas europeias Marie Sklodowska-Curie

31/01/2018. Texto de Marta Daniela Santos.

Na fotografia: à esquerda, Vítor Sousa (EG-cE3c), distinguido com o projeto MAPGenome; à direita, Lourdes Mourillas (Università degli Studi di Sassari, Itália), que virá para o cE3c com o projeto Med-N-Change.

O investigador Vítor Sousa (EG-cE3c) recebeu uma bolsa Marie Skłodowska-Curie para desenvolver durante os próximos dois anos o projeto MAPGenome, com a colaboração e orientação de Sara Magalhães, líder do grupo EE-cE3c. Também durante os próximos dois anos Silvana Munzi (PSE-cE3c) será orientadora de uma bolsa Marie Skłodowska-Curie de mobilidade: Lourdes Mourillas, atualmente na Università degli Studi di Sassari (Itália), virá para o cE3c desenvolver o projeto Med-N-Change.

O Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) encontra-se duplamente de parabéns, ao receber duas bolsas europeias Marie Sklodowska-Curie para desenvolver investigação de topo ao longo dos próximos dois anos. Os projetos distinguidos inserem-se em áreas distintas da evolução e ecologia, em diferentes escalas – dos genes aos ecossistemas – e irão também permitir a colaboração com instituições internacionais.

 

Divergência e adaptação de populações: uma questão fundamental em Biologia Evolutiva

Compreender como é que as populações de uma dada espécie divergem e se adaptam a diferentes ambientes é uma questão fundamental em Biologia Evolutiva. A adaptação a um novo ambiente resulta do fino equilíbrio entre duas forças: se por um lado a pressão selectiva em cada ambiente tende a diversificar a composição genética de cada população, por outro lado ao longo do tempo existem sempre alguns indivíduos que migram de uma população para outra, e este fluxo genético contribui para homogeneizar as populações.

Quais são os mecanismos que regulam a adaptação a novos ambientes, do ponto de vista genético? Esta é uma pergunta fundamental com implicações em várias áreas, como por exemplo a agricultura e a saúde humana. E é nesta pergunta que Vítor Sousa, investigador do grupo “Evolutionary Genetics” do cE3c, vai trabalhar ao longo dos próximos dois anos através do projeto “MAPGenome: Mapping migration and adaptation in genomes”, ao qual foi agora atribuída uma bolsa europeia Marie Skłodowska-Curie.

Nesta investigação Vítor Sousa vai desenvolver novos métodos computacionais e integrá-los com novos dados de evolução experimental, tomando como modelo de estudo a adaptação aos pesticidas de uma das pragas agrícolas com maior prevalência a nível mundial: o ácaro-aranha Tetranychus urticae. Nesta tarefa contará com o apoio e orientação de Sara Magalhães, líder do grupo “Evolutionary Ecology” do cE3c e com ampla experiência no estudo da evolução experimental esta espécie. O projeto que Vítor Sousa irá desenvolver irá aliás complementar e contribuir para a ERC Consolidator Grant recentemente atribuída a Sara Magalhães no âmbito do projeto “COMPCON: Competition under niche construction”.

No plano de trabalhos para os próximos dois anos está também contemplada a colaboração com o investigador Daniel Wegmann, do Departamento de Biologia da Universidade de Fribourg (Suíça), onde Vítor Sousa passará dois meses a aprofundar os seus conhecimentos nos métodos computacionais necessários para este estudo.

 

Bacia do Mediterrâneo: Ecossistemas em risco

Também o grupo “Plant-Soil Ecology” irá receber uma nova bolseira Marie Skłodowska-Curie: a investigadora Silvana Munzi será orientadora de Lourdes Mourillas, atualmente na Università degli Studi di Sassari (Itália), que virá para o cE3c desenvolver o projeto“Med-N-Change: Assessing the Interactive Effects of N Addition and Climate Change on Soil Processes through the Biological Soil Crust in Mediterranean Ecosystems”, ao qual foi atribuído uma bolsa Marie Skłodowska-Curie.

A Bacia do Mediterrâneo é uma das regiões com maior biodiversidade do mundo – e também uma das mais vulneráveis. O aumento da concentração de azoto no solo, e as mudanças significativas nas dinâmicas de precipitação em consequências das alterações climáticas, podem ter graves consequências na biodiversidade destes ecossistemas. Como é que estes efeitos interagem entre si? Quais são as consequências para os organismos que vivem na superfície do solo destes ecossistemas, e para os serviços por eles proporcionados? De que forma podemos destrinçar os efeitos conjuntos das alterações climáticas e aumento da concentração de azoto?

São estas algumas das perguntas em que a investigadora Lourdes Mourillas irá trabalhar, orientada por Silvana Munzi. Para isso, o projeto prevê a visita a três locais com estudos de longa duração de manipulação de azoto, que desde 2013 se constituem como a rede NitroMED: na Arrábida (Portugal), em Capo Caccia (Itália) e em El Regajal-Mar de Ontígola (Espanha).​

O conhecimento resultante deste projeto terá implicações importantes na política ambiental e na previsão de cenários de alterações globais, permitindo também melhorar a gestão dos ecossistemas mediterrânicos.

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