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ScientistAtWork 2019: Bárbara Cartagena-Matos é uma das distinguidas no concurso de fotografia da Nature


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9/04/2019. Texto de Marta Daniela Santos. Crédito da fotografia: Bárbara Cartagena da Silva Matos.

Bárbara Cartagena-Matos, estudante de doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), é autora de uma das cinco fotografias premiadas na edição de 2019 do concurso #ScientistAtWork da Nature. O primeiro prémio foi atribuído a Mikhail Kapychka, da Bielorússia. É a primeira vez que uma investigadora portuguesa é distinguida neste concurso, agora na sua terceira edição.

Bárbara Cartagena Matos partilha a selfie premiada com a Carlinha - uma fêmea de macaco-barrigudo (Lagothrix lagotricha cana). Trata-se de uma das cinco fotografias premiadas na edição de 2019 do concurso #ScientistAtWork, do qual Mikhael Kapychka, professor de história e assistente social em Mogilev, Bielorússia, foi o grande vencedor.

A fotografia foi tirada em 2013, na Amazónia Brasileira, próximo do Amazon Ecopark Jungle Lodge, onde na altura Bárbara estava a desenvolver trabalho de campo no âmbito do seu projeto final de licenciatura em Biologia, na Universidade de Aveiro.

A história por detrás da fotografia

“Estudei durante sete meses o comportamento social, a dieta e o uso de habitat de um grupo ameaçado de extinção de 18 macacos-barrigudos, que ali viviam em semi-cativeiro. Isto significa que eles não tinham limites na floresta: estavam livres para irem onde quisessem, mas também tinham horários de alimentação em alguns dias da semana, para que os turistas que ali se hospedavam pudessem vê-los e aprender mais sobre eles”, explica Bárbara. A área em questão, na altura sob gestão da Fundação Living Rainforest, é uma área de conservação ex situ para primatas que foram ilegalmente explorados, como o caso dos macacos mais velhos do grupo.

Bárbara passou estes dias na companhia dos macacos e dos guias de campo e tratadores, que a ajudavam a recolher os dados de que precisava para o projeto. “Tentei manter a distância do grupo, para interferir o menos possível com os seus comportamentos e hábitos naturais. No entanto, sempre que a Carlinha saltava para os meus ombros eu tinha de parar de recolher dados. Ela era a única [do grupo] que passava mais tempo no chão do que nas árvores: deitava-se no chão a descansar, ou às vezes vinha simplesmente ter comigo, saltava para os meus ombros e mexia-me no cabelo. Acho que os outros macacos pensavam que ela era a esquisita do grupo, ao interagir assim com um humano!”, recorda Bárbara.

A aventura da ciência pelo mundo

Depois desta experiência Bárbara continuou os seus estudos, que a têm levado a viajar pelo mundo. A um estágio no Rio de Janeiro, em que trabalhou com acústica de golfinhos, seguiu-se um Mestrado em Ecologia pela Universidade de Aveiro e pela University of Alaska Southeast (EUA), durante o qual passou cinco meses no Alasca a estudar lontras marinhas, com uma Bolsa de Investigação Fulbright. Pouco tempo depois, passou quase dois meses em trabalho voluntário no mar, a bordo de navios cargueiros em rota entre Portugal continental, a Madeira e Cabo Verde, para estudar as baleias do Atlântico Norte.

Atualmente Bárbara está no segundo ano do Programa Doutoral em Biologia, Evolução e (BIODIV) integrada no cE3c, na FCUL. A trabalhar em Ecologia Marinha, em particular Bárbara está a comparar diferentes metodologias e tecnologias utilizadas na investigação em cetáceos, e pretende contribuir com novo conhecimento sobre a dinâmica ecológica dos cetáceos em áreas pouco estudadas em Portugal.

Para Bárbara, esta fotografia representa um importante marco no seu percurso, e uma oportunidade para alertar para a importância da conservação dos animais selvagens e do seu habitat: “Para mim esta imagem representa os meus primeiros passos como bióloga da vida selvagem, já que este trabalho deu origem aos meus primeiros dois artigos científicos. Também representa a minha coragem em decidir não ter medo ou dúvidas e seguir em frente, abrindo caminho pela Amazónia, tão longe de casa tão jovem – tinha 21 anos na altura! E dá-me a oportunidade de contar a história destes e muitos outros animais selvagens que sofrem nas mãos do tráfico, bem como outras ameaças que eles enfrentam num habitat que está a desaparecer – a floresta tropical”, conclui Bárbara.

Retratar o trabalho dos cientistas pelo mundo

Promovido pela Nature, o concurso #ScientistAtWork procura fotografias que destaquem a vida profissional dos cientistas de uma forma dinâmica e criativa. As cinco fotografias premiadas na edição de 2019 foram selecionadas de um universo de cerca de 370 candidaturas, retratando cientistas a trabalhar um pouco por todo o mundo.

Os autores das cinco fotografias distinguidas recebem uma assinatura anual da Nature; o autor da fotografia vencedora recebe também um prémio monetário. Foram ainda atribuídas quatro menções honrosas.

Podem ver as fotografias distinguidas, e conhecer as suas respetivas histórias, aqui.

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