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O tipo de vegetação dos parques urbanos e a sua manutenção determinam como os parques urbanos contribuem para melhorar o ambiente das cidades

15/12/2017. Texto de Marta Daniela Santos.

Os parques urbanos que apresentam vegetação com estrutura mais complexa (como árvores e arbustos) e ausência de manutenção têm uma maior capacidade de purificar o ar e regular o clima das cidades. A conclusão é de um estudo recentemente publicado na revista Environmental Research, coordenado por investigadores do cE3c, que analisa a diversidade de líquenes e a acumulação de poluentes em transplantes de líquenes colocados em diferentes locais do Parque da Paz, em Almada.

Os espaços verdes de uma cidade são muito mais do que zonas de lazer. São ecossistemas que têm um importante papel na regulação do clima das cidades e na melhoria local da qualidade do ar, entre outros serviços do ecossistema.

Um estudo recentemente publicado na revista científica Environmental Research, coordenado por investigadores do cE3c, analisou a diversidade de líquenes e a acumulação de poluentes em transplantes de líquenes colocados em diferentes locais do Parque da Paz, em Almada.

Os resultados permitem concluir que parques urbanos com vegetação de estrutura mais complexa (como árvores e arbustos) com ausência de manutenção (como poda, rega e fertilização) têm uma maior capacidade de purificar o ar e regular o clima das cidades. Em contraste, parques caracterizados por uma vegetação de estrutura pouco complexa e de elevada manutenção, como os relvados, apresentam uma menor capacidade de contribuir com estes serviços do ecossistema.

Este estudo resulta da colaboração entre investigadores do cE3c (FCUL), do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia, do Departamento de Energia, Clima, Ambiente e Mobilidade da Câmara Municipal de Almada, e do Centro de Recursos Naturais e Ambiente do Instituto Superior Técnico.

“Perceber como os diferentes tipos de vegetação contribuem para a melhoria da qualidade do ar e regulação do clima é muito importante para se poder efetuar uma melhor gestão dos parques urbanos e assim contribuir para a saúde e o bem-estar dos cidadãos. Os líquenes, devido às suas características intrínsecas, são ótimos indicadores ecológicos e permitiram-nos avaliar estes diferentes serviços que o ecossistema nos presta”, explica Joana Vieira, investigadora do cE3c e primeira autora do estudo.

 

Referência do artigo:

Vieira, J., Matos, P., Mexia, T., Silva, P., Lopes, N., Freitas, C., Correia, O., Santos-Reis, M., Branquinho, C. & Pinho, P. (2018) Green spaces are not all the same for the provision of air purification and climate regulation services: The case of urban parks. Environmental Research160, 306-313. DOI:10.1016/j.envres.2017.10.006 

Disponível aqui: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0013935117316535 


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