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PhD Merit Award 2016: Entrevista a Tiago Capela Lourenço

4/08/2017. Entrevista por Marta Daniela Santos.

Continuamos a recordar os distinguidos do Encontro Anual cE3c 2016!

Tiago Capela Lourenço (CCIAM-cE3c) foi distinguido com o PhD Merit Award no Encontro Anual cE3c 2016, que se realizou nos dias 27 e 28 de junho 2016 na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Tiago Capela Lourenço concluiu em 2015 o seu doutoramento em Ciências do Ambiente pela Universidade de Lisboa, inserido no cE3c, sob a orientação de Filipe Duarte Santos (cE3c/FCUL) e Rob Swart (CCIAM-cE3c/Wageningen Environmental Research – Alterra). Actualmente PI do grupo cE3c “Climate Change Impacts, Adaptation and Modelling – CCIAM”, os seus interesses de investigação passam pela adaptação às alterações climáticas, com particular foco na compreensão dos processos de decisão e incerteza.

 

Qual o tema, ou quais os temas, em que trabalhaste durante o teu doutoramento?

O título da minha tese foi “Changing Climate, Changing Decisions - Understanding Climate Adaptation Decision-Making and the Way Science Supports It”. Debruçou-se sobre questões relacionadas com decisões e processos de tomada de decisão em adaptação, e sobre a forma como a ciência apoia estes processos a lidar com a incerteza. Assim, o meu Doutoramento foi centrado em três questões: a primeira lidou com a necessidade de se perceber se a transdisciplinaridade é, ou não, uma condição fundamental para a tomada de decisões em adaptação. Concluiu-se que apesar de poder ser uma condição necessária, a natureza transdisciplinar da investigação em adaptação não é suficiente para assegurar que “boas” ou “melhores” decisões de adaptação sejam tomadas em contextos reais; a segunda questão procurou contribuir para uma melhor compreensão do que são decisões de adaptação e de como estas se relacionam com o tratamento de incertezas. Através de uma seleção de casos de estudo representativos de um leque variado de setores e de processos de tomada de decisão reais, procurou-se analisar como é que as decisões de adaptação são tomadas, quais os seus requisitos e quais as implicações das abordagens escolhida para lidar com as incertezas; Finalmente, a terceira questão tentou identificar se os atuais quadros conceptuais utilizados para a tomada de decisão em adaptação estão ou não bem equipados para caracterizar, apoiar e concretizar diferentes práticas de adaptação às alterações climáticas. Os atuais quadros conceptuais em adaptação têm sido propostos a partir de uma perspetiva científica e seguem uma abordagem racional relativamente à decisão em contexto de incerteza. Esta abordagem assume que na presença de informação e de métodos de apoio, as decisões de adaptação serão de facto tomadas. Esta perspetiva parece ser suficiente para lidar com decisões estratégicas que procuram melhorar a capacidade adaptativa mas não parece já ser apropriada para decisões de carácter operacional, muitas vezes necessárias para diminuir vulnerabilidades e riscos climáticos.

A importância do trabalho está relacionada com o fato de, uma vez que as alterações climáticas (naturais ou antropogénicas) afetam as atividades humanas e se espera que o continuem a fazer ao longo dos próximos séculos, a adaptação às alterações climáticas vai colocar - ou já coloca - novos desafios a decisores um pouco por todo o mundo. Estes terão que tomar decisões já, sobre como ajustar as mais variadas atividades, setores e sistemas, em múltiplas escalas espaciais e temporais e sempre na presença de profundas incertezas. Estas decisões são da mais variada natureza e podem representar custos elevados que têm que ser tidos em consideração.

Quais são os principais desafios neste trabalho?

Os principais próximos desafios são a aplicação prática deste conhecimento no apoio à tomada de decisões de adaptação reais. Para isto temos trabalhado com um alargado leque de agentes e decisores, como por exemplo, municípios, administração central e empresas.

Porque escolheste esta área de investigação?

Sou Engenheiro do Ambiente de formação. Gosto de resolver problemas e desafios de natureza ambiental. As alterações climáticas são potencialmente, neste momento, o maior desafio que posso encontrar.

O que significou para ti receber esta distinção?

Um reconhecimento inesperado que muito me honrou e que me faz querer aprofundar ainda mais o meu trabalho no seio do CE3C e da sua estratégia científica.

Que conselhos gostarias de deixar para quem pretenda seguir esta área?

Paciência e trabalho. Ou vice-versa :) 


Tags: CCIAM

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