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Best Poster Award 2017: Entrevista a Rita Patarra

7/07/2017. Entrevista por Marta Daniela Santos.

Rita Patarra, investigadora cE3c (do grupo IBBC) foi distinguida com o Best Poster Award 2017 enquanto primeira autora do poster Bioremediation efficiency of the brown seaweed Halopteris scoparia in a land-based IMTA system. A distinção foi atribuída na 3ª edição do Encontro Anual cE3c, que se realizou nos passados dias 5 e 6 de junho no Campus de Ponta Delgada da Universidade dos Açores.

No âmbito do seu doutoramento, que iniciou em 2012 no Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, Rita Patarra está a desenvolver o projeto Opportunities for Seaweed Aquaculture Development in the Azores (M3.1.2/F/024/2011, DRCT), sob a orientação de Ana I. Neto (cE3c), Alejandro H. Buschmann (Centro imar & CeBiB, Universidad de Los Lagos, Chile) e Maria Helena Abreu (AlgaPlus Lda., Ílhavo, Portugal).

 

No que consiste o trabalho que apresentaste neste poster?

A macroalga marinha Halopteris scoparia tem um grande interesse para a indústria nutracêutica e da cosmética devido às suas actividades biológicas já reconhecidas, como por exemplo: antioxidante, antibacteriana, antifúngica, anti-envelhecimento e anti-rugas (para uma revisão mais aprofundada ver Patarra et al. 2017). H. scoparia é uma espécie cosmopolita, estando também presente nos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias, sendo colectada em alguns destes locais para posterior venda para a indústria. O impacto negativo da exploração desta espécie pode ser minimizado através do seu cultivo.

O trabalho apresentado consistiu na avaliação do efeito da densidade de cultivo e do fluxo de água no crescimento, produtividade e na capacidade de biofiltração da H. scoparia num sistema piloto de aquacultura multitrófica integrada (do inglês IMTA), instalado na empresa AlgaPlus, sediada em Ílhavo.

Que tenhamos conhecimento e até à data, este foi o primeiro estudo a investigar o potencial de cultivo desta espécie num sistema IMTA.

E a que outros temas te tens dedicado no teu projeto de doutoramento?

Com este projeto de doutoramento pretendíamos avaliar o potencial de cultivo e o impacto de diferentes técnicas de colheita no crescimento de espécies de macroalgas marinhas com valor económico. Inicialmente, avaliámos o efeito de fatores abióticos no crescimento in vitro de algumas espécies, tendo selecionado a H. scoparia para estudos posteriores, nomeadamente, testar o efeito de diferentes técnicas de apanha no crescimento desta espécie, bem como a viabilidade de cultivo num sistema IMTA.

Quais são os principais desafios neste trabalho?

Sabendo, à partida, que podemos cultivar esta espécie num sistema IMTA e para seguirmos para uma exploração comercial de H. scoparia, teremos que selecionar as condições de cultivo que nos permitam potenciar a produção de determinados metabolitos com interesse comercial. As condições ótimas de cultivo irão variar de acordo com o objetivo final. A acrescentar a isto, e de modo a contribuirmos para proteger o recurso selvagem, será necessário assegurar igualmente a produção e manutenção de “sementes” em laboratório que permitam o fornecimento constante de biomassa a sistemas de cultivo outdoor.

Porque escolheste esta área de investigação?

Atualmente, a aquacultura é um sector fundamental para a obtenção de peixe, mariscos e algas, estando em grande expansão. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a aquacultura representa já cerca de metade da produção aquática total. Com a estagnação da produtividade nas pescas e com o aumento populacional previsto, é de prever o aumento do desenvolvimento da produção de biomassa através de aquacultura para diversos fins, tanto para produtos alimentares como para a produção de compostos com utilização diversa, como a nutracêutica, a cosmética, ficocolóides, biocombustíveis, entre outros.

O cultivo de macroalgas marinhas é praticado desde há muito tempo nos países orientais, sendo 99,6 % da produção mundial de algas originária de apenas oito países: China, Indonésia, Filipinas, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão, Malásia e a República Unida da Tanzânia (FAO). A produção e comercialização de macroalgas nos países ocidentais não tem grande representação, mas tem aumentado em alguns países, como por exemplo nos Estados Unidos da América, Chile, Irlanda, Islândia, Canadá e França, existindo atualmente cerca de 15 a 20 espécies de algas comestíveis comumente comercializadas para consumo na Europa.

Nos Açores, várias espécies têm sido usadas tradicionalmente para alimentação humana e para extração de agar, um ficocolóide aplicado na indústria alimentar e farmacêutica. As exigências no controlo da qualidade das matérias-primas e as práticas atuais de colheita de macroalgas marinhas selvagens na Europa exigem uma gestão eficaz deste recurso natural e, simultaneamente, tornam premente a necessidade se implementarem métodos de produção de biomassa controlados, nomeadamente, práticas de cultivo. Apesar da importância reconhecida da exploração sustentável dos recursos marinhos existentes nos Açores, não existe qualquer informação sobre a viabilidade do cultivo de macroalgas marinhas no Arquipélago. Este projeto de doutoramento surgiu da necessidade de avaliar o potencial de cultivo de espécies de macroalgas marinhas selecionadas, bem como identificar as melhores práticas de recolha desse recurso natural.

O que significa para ti receber esta distinção?

Significa, sobretudo, o reconhecimento entre pares da qualidade científica do trabalho que realizámos, o que é muito importante para mim, justamente quando estou a terminar o meu projecto de doutoramento.

Que conselhos gostarias de deixar para quem pretenda seguir esta área?

Sobretudo muita persistência e perseverança! Só assim conseguirão ultrapassar todos os constrangimentos e desafios - que serão muitos! – que se vos colocarão ao longo de todo o vosso percurso como investigadores em aquacultura.


Tags: IBBC

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