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Como planear a floresta do futuro? Novo filme de animação criado por investigadores do cE3c

21/09/2020. Texto de Marta Daniela Santos.

É agora lançado o filme de animação “Como planear a floresta do futuro?”, no âmbito das iniciativas que assinalam o Dia da Ecologia (14 de setembro). O filme pretende ser um ponto de partida para a reflexão sobre os fatores que ameaçam as florestas e o que pode ser feito para assegurar o seu desenvolvimento a longo prazo.

As florestas das zonas semiáridas estão sob ameaça. As alterações climáticas e as mudanças de uso do solo têm levado ao seu declínio e à falta de regeneração natural. O filme de animação “Como planear a floresta do futuro?” fala sobre como as características locais influenciam decisivamente o desenvolvimento da floresta a longo prazo, e pretende ser um ponto de partida para a reflexão sobre estas questões. 

O guião é inspirado no tema da tese de doutoramento de Adriana Príncipe, a desenvolver o seu doutoramento no cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa: “O nosso objetivo com o filme é sensibilizar para a importância dos efeitos locais, como o microclima, que contribuem decisivamente para o crescimento da floresta do semiárido a longo prazo, principalmente através do seu impacto na regeneração natural. Estes efeitos locais são muitas vezes subvalorizados devido à sua escala geográfica, pois é difícil mapear estes efeitos com elevada resolução e a longo prazo”, refere a investigadora.

O desenvolvimento do filme passou por várias fases, desde a construção do guião à animação e locução – em que as vozes para as versões em português e inglês foram selecionadas através de um casting lançado à comunidade de Ciências ULisboa. A versão em inglês será lançada em breve.

Boa parte do filme acabou por ser desenvolvido em teletrabalho, devido ao evoluir da pandemia COVID-19, o que colocou alguns desafios, como por exemplo na gravação da locução: “Foi preciso improvisar em casa condições que permitissem captar som com o mínimo de qualidade e recorrer ao equipamento de que cada um dispunha. Em relação à locução, claro que a qualidade de som não é a mesma nestas circunstâncias, mas adaptámo-nos à realidade atual de forma a que o trabalho não parasse”, recorda Marta Daniela Santos, responsável pelo Gabinete de Comunicação do cE3c e selecionada para a locução em português deste filme.

Para Pedro Pinho, investigador do cE3c, o processo criativo foi outro dos elementos impactado pelo teletrabalho: “Acho que grande parte do processo de construção da animação, desde o início do guião até à avaliação das provas é muito adequado ao trabalho remoto, por ser baseado em meios informáticos. A parte criativa pode ter sido afetada por não termos sessões de trabalho conjuntas e presenciais, porque as ideias surgem muito mais depressa quando estamos em conjunto e focados no mesmo assunto”.

E qual é a sensação de ver o trabalho desenvolvido ao longo de anos para o doutoramento transposto para um filme de animação? Para Adriana Príncipe, a experiência de transpor o seu trabalho de doutoramento para filme de animação foi uma mais-valia: “A comunicação através de uma animação permite uma maior aproximação ao público geral, explicando um tema complexo de uma forma mais simples, mas não redutora da que estamos habituados a fazer como investigadores. Além disso, por ter sido um processo colaborativo que envolveu uma equipa multidisciplinar acabei também por aprender mais sobre como comunicar ciência utilizando um encadeamento de ideias que resultasse num bom impacto visual”, explica Adriana Príncipe.

O contributo do microclima nas florestas do semiárido mediterrânico é uma área em que o grupo de investigação ‘Ecology of Environmental Change – eChanges’ tem trabalhado ativamente – para mais informações, podem consultar a sua página e também um dos artigos científicos mais recentes e do qual Adriana Príncipe é primeira autora, intitulado “In Mediterranean drylands microclimate affects more tree seedlings than adult trees”.

Créditos do filme:

Produção, Ilustração e Animação: Hélder Pais (http://helderpais.com)

Narração: Marta Daniela Santos (cE3c)

Guião e Coordenação Científica: Adriana Príncipe (cE3c) – o guião foi inspirado no seu tema da tese de Doutoramento; Maria Amélia Martins-Loução (cE3c/SPECO); Cristina Branquinho (cE3c/FCUL); Helena Serrano (cE3c/SPECO); Marta Daniela Santos (cE3c); Maria Castanheira (cE3c); Fabrício Mota (cE3c); Pedro Pinho (cE3c).

Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Este filme foi financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do financiamento de Unidades de I&D, UIDB/00329/2020.

Agradecimentos:

FCiências.ID - Associação para a Investigação e Desenvolvimento de Ciências (http://www.fciencias-id.pt)
Ciências ULisboa - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (https://ciencias.ulisboa.pt)

ILTER - International Long-Term Ecosystem Research Network (https://www.ilter.network/)

LTsERmontado - Plataforma Long-Term Socio-Ecological Research - Montado (http://www.ltsermontado.pt)

SPECO - Sociedade Portuguesa de Ecologia (https://www.speco.pt)

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