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Promover o património natural: a exposição “Açorianos há milhões de anos”

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  • Sep, 2016

Gabriel, R., Arroz, A.M., Marcos, R.S., Borges, P.A.V. & Amorim, I.R. (2016) Promover o património natural: a exposição “Açorianos há milhões de anos”. Pingo de Lava40, 47-52.

Summary:

São nojentos, transmitem doenças e não servem para nada!” – são estas as perspetivas dominantes sobre os insetos e os artrópodes em geral. Os açorianos não fogem à regra, numa Região em que os artrópodes representam o grupo mais biodiverso, com mais de 260 espécies endémicas (que só existem nestas ilhas) (Borges et al., 2010a).

Trazer os insetos à cidade, uma vez que a maior parte da população nunca os observa no seu habitat natural, deu o mote a uma iniciativa que, sob a égide de “Açorianos há milhões de anos”, representou uma das primeiras incursões do Grupo da Biodiversidade dos Açores (GBA-cE3c) (e particularmente dos seus entomólogos) no difícil desafio que é o diálogo entre visões e interesses tantas vezes díspares da Ciência e das populações locais.

Visando despertar a curiosidade, promover o interesse e incitar conversas casuais, a equipa multidisciplinar envolvida nesta intervenção, realizou diversas reuniões de preparação do copy para o design de comunicação, tendo em conta que comunicar ciência se rege por propósitos, funções e critérios de legitimação distintos dos de fazer ciência.

Apostou-se na criação de representações hiper-realistas de insetos endémicos, explorando o potencial da técnica da “macrofotografia extrema” para tornar incontornavelmente visível aquilo que é naturalmente ínfimo e socialmente ignorado. Para obter cada uma destas imagens foram sobrepostas entre 175 e 250 fotografias, tiradas com uma lente de microscópio (x6), focando planos ligeiramente diferentes, que conferem às imagens resultantes maior profundidade de campo e uma nitidez fabulosa. Estas imagens foram realizadas por um especialista em fotografia Macro Extrema, Javier Torrent (http://macrosmuymacros.com), e envolveram dois meses de trabalho.

Escolheu-se como gramática visual o “retrato” de modo a colocar no centro da atenção do espectador, “um rosto”, uma identidade, cujos olhos fomentam uma relação de empatia, humanizando os insetos ali representados.

Dois conjuntos dos seis “retratos” resultantes, representados nas Figuras 2 a 7, foram expostos de Abril a Junho de 2013, em telas de grandes dimensões (4m x 3m) nas principais ruas de Angra do Heroísmo, de modo a criar um caminho de descoberta de insetos endémicos por toda a cidade. E não se tratava de uma cidade qualquer, mas de um centro histórico Património Mundial da UNESCO, o que permitiu exibir lado a lado, um património natural descurado com um património edificado amplamente reconhecido. Simultaneamente, saía-se dos locais típicos de divulgar ciência (ex. museus, observatórios) para a via pública, reivindicando um território para estas espécies endémicas nunca antes conquistado na esfera pública açoriana.


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