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Best Poster Award 2018: Entrevista a Teresa Santos

10/08/2018. Entrevista por Marta Daniela Santos.

É com Teresa Santos, estudante de doutoramento no cE3c, que damos início a um conjunto de entrevistas semanais com os investigadores que receberam distinções na 4ª edição do Encontro Anual cE3c, que se realizou nos passados dias 9 e 10 de julho na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa!

Teresa Santos foi distinguida com o Best Poster Award 2018 (em ex-aequo com Fernando Madeira, que será o nosso entrevistado da próxima semana), enquanto primeira autora do poster Assessing the genetic status of a Savannah elephant (Loxodonta africana) population in the Greater Kruger Biosphere, South Africa. Está a iniciar o seu doutoramento no âmbito do Programa Doutoral em Biodiversidade, Genética e Evolução (BIODIV), inserida no grupo “Evolutionary Genetics – EG” do cE3c, e os seus interesses de investigação passam pela genética, evolução e conservação animal.

 

No que consiste o trabalho que apresentaste neste poster?

O número de elefantes tem diminuido por quase toda a África devido a impactos antropogénicos, como a caça ilegal, maioritariamente associada ao crescente tráfico de marfim, e à fragmentação de habitat. De facto, com o aumento exponencial das populações humanas, os elefantes estão limitados a áreas protegidas, normalmente isoladas, não tendo assim contacto com outras populações. Estes problemas podem diminuir a variabilidade genética das populações, aumentar a diferenciação genética entre as mesmas e diminuir o seu potencial evolutivo, colocando-as, assim, em risco de extinção. Desta forma, urge estudar o estado genético das populações em áreas confinadas, de modo a podermos determinar se é necessária alguma intervenção para aumentar a diversidade genética e, consequentemente, ajudar a conservar a população. 

Neste trabalho, analisámos uma população na África do Sul, adjacente ao Parque Nacional do Kruger. A população esteve confinada até meados dos anos 90, quando foram retiradas as cercas que a separavam dos elefantes do Parque Nacional do Kruger. Procurámos determinar se a antiga presença de cercas associada a um decréscimo populacional acentuado no início do século passado deixaram sinais a nível genético na população actual.

Estás no início do teu doutoramento: já planeaste quais as questões científicas que pretendes estudar nos próximos quatro anos?

Tenho imensas ideias quanto ao que fazer durante o doutoramento, mas ainda não delineei o caminho exacto a seguir. De facto, comecei o doutoramento com uma questão formada, mas entretanto novas oportunidades apareceram e tenho estado a reformular o meu plano. A possibilidade de fazê-lo é uma das vantagens do programa doutoral em que me encontro. Desta forma, por agora posso apenas dizer que continuará a ter genética e mamíferos, e que terá como âmbito ajudar a conservação da biodiversidade, que, no fundo, é aquilo em que tenho maior interesse.

Quais são os principais desafios neste trabalho?

Obter amostras de boa qualidade e em quantidade suficiente para tirar elações robustas é sempre um desafio. É preferível ter DNA não degradado, mas fazê-lo implica obter amostras invasivas - como por exemplo sangue e tecido - o que é melhor evitar para não perturbar os animais. Assim, procuram-se usar amostras não invasivas, que, neste caso, foram fezes frescas. Além do óbvio problema do cheiro - não recomendo trabalhar com amostras fecais logo depois do almoço! - , há alguma dificuldade em amplificar DNA destas amostras, já que está muito degradado. Como tal, é preciso fazer bastante trabalho de campo - para colectar as amostras ainda frescas e, assim, melhor as conservar - e de laboratório - para optimizar as técnicas de extracção e amplificação de DNA.

Porque escolheste esta área de investigação?

Sempre tive interesse em genética, evolução e conservação animal, mas nunca soube qual destas áreas seguir. Quando descobri na licenciatura que era possível juntar as três áreas numa só, a escolha tornou-se clara. Acresce ao meu interesse pessoal a necessidade crescente destes estudos face à actual crise de biodiversidade, pois eles são uma ferramenta valiosa para a gestão e protecção das populações animais. De facto, não basta apenas ter um grande número de indivíduos de uma espécie para garantir a sua sobrevivência. Se forem todos similares geneticamente, há o risco de não conseguirem adaptar-se a novas condições climáticas ou de sucumbirem a doenças, por exemplo, pelo que maximizar a diversidade genética é vital. 

O que significa para ti receber esta distinção?

Foi muito gratificante ter sido reconhecida desta forma, até porque o trabalho apresentado no Encontro Anual é de excelência. Parte de mim ainda não acredita no que aconteceu! Dito isto, como alguém que está no início do doutoramento e ainda a desenvolver o próximo projecto, tem-me dado imensa motivação para continuar este percurso. Finalmente, o trabalho resultou da colaboração entre várias universidades, associações e áreas científicas, e é óptimo saber que todo o nosso trabalho está a dar fruto.

Que conselhos gostarias de deixar para quem pretenda seguir esta área?

Trabalhar numa ciência multidisciplinar implica ter conhecimentos aprofundados em várias áreas científicas diferentes, e, principalmente no início da carreira, é impossível saber tudo o que é necessário para desenvolver um bom trabalho. Assim, uma das maiores lições que tenho tirado do meu percurso até agora é que, por mais assustador que possa ser, nunca se deve ter receio ou vergonha de pedir ajuda ou de estabelecer colaborações. É uma óptima maneira de aprender, conhecer pessoas e criar novas histórias!


Tags: EG

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