News

Alterações climáticas na Europa: Há falta de informação sobre as estratégias de adaptação existentes a nível local

16/05/2018. Texto adaptado do comunicado emitido pelo Centro de Estudos Florestais - Instituto Superior de Agronomia.

Há falta de informação sobre as estratégias de adaptação às alterações climáticas existentes a nível local: o alerta é de um novo artigo agora publicado na revista Environmental Science and Policy, disponível aqui, que surge na sequência do projeto ClimAdaPT.Local coordenado pelo cE3c e que envolve vários investigadores do centro.

As vulnerabilidades climáticas da Europa e os crescentes impactos das alterações climáticas das últimas décadas têm impulsionado iniciativas como a Estratégia Europeia de Adaptação e o Pacto de Autarcas para o Clima e Energia. Este último reúne centenas de municípios e regiões que se comprometem voluntariamente a implementar os objetivos de clima e energia da União Europeia no seu território. No entanto, existe falta de informação sobre as estratégias de adaptação existentes a nível local pelos vários Estados Membros da União Europeia, bem como o avanço da sua implementação.

De acordo com os autores do estudo agora publicado, existem vários padrões de planeamento de adaptação e de capacidade adaptativa entre diferentes regiões da Europa. De um modo geral, as grandes cidades recorrem a financiamento local próprio enquanto os fundos nacionais e internacionais parecem ser mais importantes em zonas menos urbanas ou nas regiões do Sul e Este europeus.

Portugal destacou-se dos outros países europeus pela elaboração de estratégias em municípios com características muito diferentes e pela distribuição territorialmente homogénea de estratégias, abrangendo pequenos municípios, como São João da Pesqueira e Montalegre e grandes cidades, como Lisboa e Porto. Esta distribuição deveu-se à seleção prévia de municípios para elaboração de estratégias no âmbito do projeto ClimAdaPT.Local – Estratégias Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas, que decorreu entre janeiro de 2015 e dezembro de 2016, coordenado pelo grupo ‘Climate Change Impacts, Adaptation and Modelling - CCIAM’ do cE3c-FCUL. 

A nível da Europa, as inundações urbanas e rurais, as secas e as temperaturas extremas e ondas de calor surgiram como as vulnerabilidades globais mais prementes do ponto de vista climático, e consequentemente o planeamento e implementação da adaptação tem uma grande relevância no sector da proteção contra inundações e gestão de recursos hídricos. Os eventos extremos, como tempestades, ondas de calor são também reconhecidos como prioridades nas políticas de adaptação. As temperaturas extremas, e de um modo geral, o aumento de temperatura, tal como as inundações estão relacionados com uma visível implementação da adaptação nos sectores de construção e no planeamento urbano. Nas zonas costeiras, a subida do nível médio das águas do mar e as inundações são as principais preocupações dos responsáveis locais. As principais barreiras que necessitam de ser transpostas para colocar em marcha muitos dos planos de adaptação são a insuficiência de recursos humanos e financeiros, a falta de capacidade técnica, falha nos compromissos políticos e a incerteza (climática, por exemplo), sobressaindo a dependência do financiamento externo em muitos dos casos. Embora o financiamento da União Europeia à investigação, planeamento e implementação da adaptação tenha crescido nos últimos anos, o financiamento público local e nacional continua a ser o grande impulsionador da adaptação ao nível municipal. Neste processo de planeamento e implementação de adaptação é notório o reconhecimento da importância do envolvimento dos atores-chave na implementação de medidas de adaptação (por exemplo, organizações não governamentais, associações de agricultores, entidades privadas).

Esta investigação iniciou-se com a pesquisa e coleção de estratégias locais de adaptação na Europa. Permitiu coligir 147 documentos oficiais de 19 países da União Europeia e Noruega. Estas estratégias ou planos são, na sua grande maioria, de âmbito municipal e incluem zonas costeiras, rurais e urbanas. As grandes questões do estudo prenderam-se com as causas de elaboração destas estratégias, os tipos de barreiras à adaptação, como é priorizada a adaptação nos vários sectores, qual a extensão da implementação das estratégias e que tipo de fundos são usados.

O estudo agora publicado contribui para conhecer o estado da adaptação na Europa a nível global e a nível das regiões europeias. Foi realizado por uma equipa multidisciplinar no âmbito do projeto ClimAdaPT.Local, constituída por investigadores do cE3c, do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia e da Universidade de Wageningen (Holanda).

 

Referência do artigo:

Aguiar FC, Betnz J, Silva JMN, Fonseca AL, Swart R, Santos FD, Penha-Lopes G, Adaptation to climate change at local level in Europe: An overview (2018), Environmental Science & Policy, Vol. 86, pp. 38-63.

https://doi.org/10.1016/j.envsci.2018.04.010

 


Tags: CCIAM

Other Articles

  • Novo artigo sobre monitorização de longo prazo de artrópodes nos Açores publicado em edição especial da Ecography

    Paper Novo artigo sobre monitorização de longo prazo de artrópodes nos Açores publicado em edição especial da Ecography

  • Ecologia e evolução da facilitação entre simbiontes: artigo de revisão abre novas linhas de investigação

    Paper Ecologia e evolução da facilitação entre simbiontes: artigo de revisão abre novas linhas de investigação

  • Novo estudo revela o impacto das alterações dos recursos hídricos subterrâneos no desempenho fisiológico das plantas

    Paper Novo estudo revela o impacto das alterações dos recursos hídricos subterrâneos no desempenho fisiológico das plantas

  • Primeiro estudo sobre a ecologia da alimentação das tartarugas verdes da África Ocidental

    Paper Primeiro estudo sobre a ecologia da alimentação das tartarugas verdes da África Ocidental

  • Protocolo permite isolar fungo patogénico em anfíbios vivos: balanço de uma década com olhos postos na ética e bem-estar animal

    Paper Protocolo permite isolar fungo patogénico em anfíbios vivos: balanço de uma década com olhos postos na ética e bem-estar animal