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Best Poster Award 2016: Entrevista a Alexandre Figueiredo

14/07/2017. Entrevista por Marta Daniela Santos.

Está agora na hora de recordarmos os distinguidos no Encontro Anual cE3c 2016!

Começamos por Alexandre Figueiredo, que em 2016 foi distinguido com o Best Poster Award 2016 (em conjunto com a Leonor Rodrigues, cuja entrevista será publicada na próxima semana) como autor do poster How to find a virgin in a haystack of mated females. O Encontro Anual cE3c 2016 realizou-se nos dias 27 e 28 de junho 2016 na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Após ter concluído o seu mestrado em dezembro de 2016, inserido no grupo Evolutionary Ecology do cE3c, Alexandre Figueiredo rumou à Universidade de Zurique, onde está agora a desenvolver o seu doutoramento em diversificação de moléculas de sinalização e de bens públicos num contexto social, em bactérias.

 

Para além do trabalho que apresentaste neste poster, a que outros temas te dedicaste no teu mestrado?

Para além do tema do poster, durante o meu mestrado tentei perceber como é que dois factores da história de vida dos ácaros-aranha machos afectam o seu comportamento reprodutor. Por um lado, quis saber se o facto de um macho já ter acasalado muda o seu investimento em futuras competições por fêmeas ou o seu comportamento de corte. Por outro lado, tentei perceber como é que o facto de a mãe de um macho ser virgem ou não, altera estes mesmos comportamentos. Nos ácaros-aranha, os machos são haplóides e vêm de ovos não fertilizados, e as fêmeas são diplóides e vêm de ovos fertilizados. Logo, tanto fêmeas virgens quanto fêmeas que acasalaram podem ter filhos machos, provenientes de ovos não fertilizados. Neste caso, os resultados que obtive no meu mestrado sugerem que machos filhos de fêmeas virgens são mais rápidos a detectar e a acasalar com fêmeas do que machos filhos de fêmeas acasaladas. Uma possível explicação para este comportamento, é que ao serem filhos de fêmeas virgens, só vão ter irmãos, logo terão mais competidores pelas eventuais poucas fêmeas que existam perto deles.

Quais são as próximas perguntas científicas a que pretendes responder?

Se tivesse continuado a trabalhar com os ácaros, sem dúvida que continuaria a ser em selecção sexual, competição espermática ou comportamento reprodutor. Uma das coisas mais curiosas nestes bichos é que só o primeiro macho a acasalar com uma fêmea tem filhos dela. Logo, a previsão é que os machos só acasalem com fêmeas virgens, pois acasalar com fêmeas não virgens será um desperdício de recursos. No trabalho do poster mostrámos, que eles de facto preferem fêmeas virgens e identificámos o tipo de sinais que usam para as identificar. As perguntas que se seguem e às quais gostaria de responder são: qual a estrutura química destas feromonas emitidas pelas fêmeas? Como é que estes sinais mudam quando uma fêmea acasala pela primeira vez? E qual a origem desta mudança? É imposta pelo macho para “marcar” a fêmea como acasalada, ou é a própria fêmea que muda o sinal?

Porque escolheste esta área de investigação?

Para mim, a Biologia Evolutiva é a ponte que liga todas as áreas das ciências naturais umas às outras. Ajuda-nos a perceber a razão pela qual os processos descritos pelas "outras biologias” mais mecanísticas acontecem como acontecem, a desenlear padrões e a explicar os “porquês” do mundo natural. As perguntas que mais me fazem comichão e me motivam para tentar encontrar respostas estão globalmente relacionadas com a evolução de sistemas de reprodução e selecção sexual, por um lado e, por outro, como e porquê sistemas sociais e actos de cooperação evoluem. As respostas a estas e outras perguntas são essenciais para a compreensão de tanto no mundo que nos rodeia, e aplicam-se a quase toda a vida, desde microorganismos a sequoias e elefantes, passando claro, pelos humanos.

O que significou para ti receber esta distinção?

Significa muito! Foi a primeira (e única) vez em que um trabalho científico no qual participei foi reconhecido desta forma e logo uma motivação enorme para continuar em investigação.  Lembro-me que muitos dos posters do encontro eram incríveis e que nem me passou pela cabeça que pudéssemos ganhar. Gostaria de aproveitar a oportunidade para voltar a agradecer à Prof. Sara Magalhães e à Leonor Rodrigues pela oportunidade de trabalhar neste projecto e por todo o “mentoring” e paciência. 

Que conselhos gostarias de deixar para quem pretenda seguir esta área?

Acima de tudo, que façam algo de que gostem. No fim, o mais importante é trabalhar para responder a uma pergunta que seja motivante e para a qual se queira mesmo saber a resposta. Especificamente em biologia (evolutiva), acho que o mais importante é experimentar vários tipos de investigação, em laboratórios diferentes, através de estágios ou voluntariado. 

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