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PhD Merit Award cE3c 2017: Entrevista a Paula Matos

30/06/2017. Entrevista por Marta Daniela Santos. Fotografia de Carolina Lima.

Paula Matos, investigadora cE3c (do grupo eChanges) foi distinguida com o Best PhD Merit Award 2017 na 3ª edição do Encontro Anual cE3c - uma distinção que pretende assinalar o mérito do trabalho realizado no último ano por investigadores que concluíram recentemente o seu doutoramento no centro.

Paula Matos concluiu em julho de 2016 o seu doutoramento em Biologia e Ecologia das Alterações Globais nas Universidades de Lisboa e de Aveiro. Continuando no cE3c, agora como investigadora de pós-doutoramento, Paula Matos continua a desenvolver as linhas de investigação suscitadas pela sua tese, em que trabalhou no desenvolvimento de indicadores ecológicos das alterações climáticas com base na diversidade funcional de líquenes.

 

Qual o tema, ou quais os temas, em que trabalhaste durante o teu doutoramento?

O meu trabalho de doutoramento consistiu em desenvolver um indicador ecológico dos efeitos das alterações climáticas baseado na diversidade funcional de líquenes. Para construir os modelos recolhemos dados da comunidade de líquenes epífitos – que crescem em cima de plantas - ao longo de gradientes climáticos em ecótonos (área de transição entre ecossistemas diferentes) de vários locais do mundo (EUA, Brasil, Tailândia, Portugal, Espanha, Itália). Dado que as séries temporais de dados ainda são escassas, a nossa premissa é de que estes gradientes climáticos no espaço poderão ser usados como proxy daquilo que irá acontecer no tempo. Com base nestes dados construímos modelos que, por serem baseados em diversidade funcional e independentes da identidade das espécies, podem ser usados para seguir os efeitos das alterações climáticas em ecossistemas florestais em qualquer parte do mundo.

Acho que hoje em dia é claro para a maior parte das pessoas que as alterações climáticas irão impactar os ecossistemas, e os serviços por eles prestados, um pouco por todo o mundo. Estes impactos terão implicações ecológicas e socioeconómicas graves. Por essa razão há muito tempo que a comunidade científica e organizações como as Nações Unidas - através das suas convenções para a Alterações Climáticas, Diversidade Biológica e para o Combate à Desertificação - procuram indicadores capazes de sinalizar e seguir os efeitos das alterações climáticas nos ecossistemas. Assim, este trabalho pretendeu desenvolver uma ferramenta que possa ser incluída neste conjunto de indicadores das Nações Unidas e potencialmente aplicada à escala global.

Quais são os principais desafios neste trabalho?

O desafio mais imediato é, claramente, ter dados à escala global. Durante este trabalho recolhi dados em quatro continentes, mas são necessários mais dados, de mais locais do mundo, para consolidar os modelos que desenvolvemos. Esse é o nosso próximo passo.

O segundo desafio, não mais fácil que o primeiro, é validar os modelos que desenvolvemos ao longo de gradientes climáticos espaciais no tempo, para sabermos se de facto as variações climáticas no espaço mimetizam aquilo que irá acontecer no tempo à medida que o clima muda. Nós já conseguimos validar os modelos para o sul de Portugal com dados temporais de 25 anos. O próximo desafio é fazer isto para outras regiões do mundo.

O terceiro desafio será conseguir que este indicador ecológico que desenvolvemos seja de facto incluído no conjunto dos indicadores das Nações Unidas. Em maio a Cristina Branquinho e eu já os apresentamos no Fórum das Florestas nas Nações Unidas, e o feedback foi bastante bom. Agora precisamos de consolidar tudo o que desenvolvemos e dar os passos necessários para seja testado em áreas piloto e incluído pelas Nações Unidas.

Porque escolheste esta área de investigação?

Quando comecei a trabalhar com a Cristina Branquinho ela falou-me em dois ou três projetos e deu-me a escolher entre eles. Eu escolhi este, não sei bem porquê. Mas se me conheço bem talvez tenha sido porque na altura achei que seria um problema mais emergente que os outros, e porque não havia quase nada desenvolvido nesta área. Logo, seria uma oportunidade única de fazer algo novo, de raiz. Ainda bem que escolhi, adoro este trabalho e acima de tudo sinto que estamos a fazer algo que tem uma aplicação prática.  

O que significa para ti receber esta distinção?

Não estava nada à espera. O nosso centro de investigação é tão bom, há outros doutoramentos de elevada qualidade, por isso fiquei muito feliz por receber este prémio! Deu-me um prazer imenso fazer este trabalho e é muito bom ver que o nosso trabalho é reconhecido! 

Que conselhos gostarias de deixar para quem pretenda seguir esta área?

Como em todas as áreas científicas, a competição é muito grande. Por isso, em primeiro lugar o meu conselho é para fazerem aquilo que gostam.  Porque quando assim é divertimo-nos, e damos sempre o nosso melhor. Com esta receita o trabalho terá de certeza qualidade para avançar neste mundo tão competitivo.


Tags: eChanges

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