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À descoberta da diversidade das florestas tropicais de África

28/04/2017. Texto de Marta Daniela Santos.

A análise de mais de 600 000 espécimes de plantas das florestas tropicais da África Central permitiu a uma equipa internacional de investigadores, entre os quais Luís Catarino e Maria Cristina Duarte do cE3c, identificar os padrões de riqueza de espécies nesta região, na qual se encontra a segunda maior extensão de floresta tropical após a bacia amazónica. Os resultados revelam que partes da Tanzânia, África Central Atlântica e África Ocidental devem ser consideradas prioritárias para a conservação e necessitam de uma exploração científica mais aprofundada.

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África é um dos continentes mais ricos em biodiversidade do mundo. É na África Central, por exemplo, que se encontra a segunda maior extensão de floresta tropical após a bacia amazónica. No entanto, esta região encontra-se em risco face às consequências da intervenção humana e das alterações climáticas, e o desenvolvimento de políticas de conservação só é possível com um conhecimento aprofundado das espécies nela existentes e da sua distribuição geográfica.

Para este estudo os investigadores recorreram à maior base de dados existente sobre a biodiversidade de plantas das florestas tropicais de África – RAINBIO – reunida pelo projeto internacional African RAIN forest community dynamics: implications for tropical BIOdiversity conservation and climate change mitigation entre 2013 e 2015.

A análise identificou os Camarões, a Tanzânia e a República Democrática do Congo como os países mais ricos em espécies. Os investigadores conseguiram também mapear a progressão histórica da exploração botânica em toda a região: os resultados revelam que a exploração da África Tropical parece ter progredido em primeiro lugar ao longo dos principais rios e linhas de costa. De seguida, esporadicamente, a exploração progrediu através do continente, condicionada pelas condições de acessibilidade e pelas situações políticas na região.

Regiões da Tanzânia, África Central Atlântica e África Ocidental são identificadas como áreas prioritárias: estão entre as regiões menos conhecidas e necessitam de uma exploração científica mais aprofundada, que será o suporte para o desenvolvimento de políticas de conservação.

Os investigadores sublinham que estes resultados não teriam sido possíveis de obter sem os dados reunidos nos herbários de todo o mundo, demonstrando o seu papel fundamental para o estudo e conservação da biodiversidade.

 

Referência do artigo:

Sosef, M.S.M., Dauby, G., Blach-Overgaard, A., van der Burgt, X., Catarino, L., Damen, T., Deblauwe, V., Dessein, S., Dransfield, J., Droissart, V., Duarte, M.C., Engledow, H., Fadeur, G., Figueira, R., Gereau, R.E., Hardy, O.J., Harris, D.J., de Heij, J., Janssens, S., Klomberg, Y., Ley, A.C., Mackinder, B.A., Meerts, P., van de Poel, J.L., Sonké, B., Stévart, T., Stoffelen, P., Svenning, J., Sepulchre, P., Zaiss, R., Wieringa, J.J. & Couvreur, T.L.P (2017) Exploring the floristic diversity of tropical Africa. BMC Biology, 15, 1-23. DOI:10.1186/s12915-017-0356-8

http://bmcbiol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12915-017-0356-8


Tags: ESFE NHS

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