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Estudo de revisão acaba por revelar uma nova espécie do musgo Amphidium para a ciência

24/01/2017. Texto por Marta Daniela Santos.

Aquele que começou por ser um estudo de revisão da classificação taxonómica dos musgos Amphidium acabou por revelar a existência de uma nova espécie para a ciência que até agora passara despercebida aos investigadores - Amphidium asiaticum (na imagem). O estudo, agora publicado na revista Systematics and Biodiversity (*) e no qual participam investigadores do cE3c (FCUL), apoia-se numa nova análise por meio de marcadores moleculares e de uma reavaliação de dados morfológicos para actualização da classificação dos musgos deste género.

É frequente ouvirmos falar na descoberta de novas espécies para a ciência. Igualmente importante, mas menos falado, é o trabalho de revisão feito pelos cientistas à classificação de espécies já conhecidas. A utilização de novas ferramentas, como por exemplo a análise por meio de marcadores moleculares, permite fazer uma classificação mais rigorosa das espécies dentro de um determinado género, podendo revelar que existem mais - ou menos - espécies que as que eram consideradas.

A classificação dos musgos do género Amphidium já foi revista por algumas vezes. Considerava-se inicialmente que este género incluía treze espécies, mas estas foram reduzidas para três após um estudo publicado no ano 2000 e desenvolvido com base apenas em dados de distribuição e taxonómicos.

O estudo agora publicado demonstra que esta redução foi na verdade demasiado estrita. Através da análise de marcadores moleculares e dados morfológicos, os investigadores conseguiram distinguir seis espécies de Amphidium, entre elas uma espécie nova para a ciência que até agora passara despercebida à comunidade científica - Amphidium asiaticum, com ocorrência no sul da Sibéria e no norte da Mongólia.

Manuela Sim-Sim, investigadora cE3c e primeira autora do estudo, explica: "Podemos distinguir seis espécies de Amphidium, nomeadamente Amphidium lapponicum, A. mougeotii e A. tortuosum de distribuição ampla, bem como A. curvipes endémico das Canárias e da Madeira, e A. californicum endémico norte-americano da região da Califórnia".

A descoberta desta nova espécie para a ciência, Amphidium asiaticum, só foi possível através da análise de material da Ásia Central obtido através da permuta com a coleção do herbário da Universidade de Lisboa [LISU] e o herbário do Instituto de Botânica Komarov da Academia Russa de Ciências, em São Petersburgo. A descoberta aconteceu quase por acaso:

“Chegou ao Museu [Nacional de História Natural e da Ciência, MUHNAC] uma pequena coleção de musgos da Rússia, oferta do herbário da Academia Russa de Ciências em São Petersburgo. Entre as amostras vinham algumas de Amphidium lapponicum que resolvi observar”, recorda Manuela Sim-Sim. “No entanto reparei que as características de algumas amostras não estavam de acordo com as descritas para a espécie A. lapponicum, enquanto que outras correspondiam exatamente a essa espécie. A partir daí comecei a rever amostras de diversas zonas do globo, a efetuar uma reavaliação dos caracteres morfológicos do grupo e simultaneamente fizemos mais análises moleculares. Os resultados revelaram que se tratava de um taxon distinto, e neste caso de uma nova espécie“.

 

Na imagem (adaptada da figura 5 do artigo) pode ver-se à esquerda a planta Amphidium asiaticum e à direita um detalhe da planta com cápsula (fruto).

 

 

(*) Sim-Sim, M., Afonina, O.M., Almeida, T., Désamoré, A., Laenen, B., Garcia, C. A., González-Mancebo, J.M. & Stech, M. (2017), Integrative taxonomy reveals too extensive lumping and a new species in the moss genus Amphidium (bryophyta). Systematics and Biodiversity.

http://dx.doi.org/10.1080/14772000.2016.1271059


Tags: NHS

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