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Novo estudo sugere que as águas do Bangladesh, na Baía de Bengala, têm características ecológicas únicas para a evolução de novas espécies

28/12/2016. Texto por Marta Daniela Santos.

Um estudo agora publicado na revista Conservation Genetics demonstra que as populações de duas espécies de golfinhos (Tursiops aduncus e Sousa spp.) que habitam as águas do Bangladesh, na Baía de Bengala, são diferentes do ponto de vista genético quando comparados com populações de golfinhos das mesmas espécies que vivem em áreas vizinhas. Este estudo, do qual a investigadora cE3c Ana Rita Amaral é primeira autora, vem reforçar resultados anteriores que sugerem que a Baía de Bengala tem características ecológicas únicas que contribuem para a evolução de novas espécies marinhas.

Cada ser vivo tem um conjunto único de genes. Alguns seres vivos podem ter combinações de genes que lhes permitem adaptar-se melhor que outros ao ambiente que os rodeia – permitindo-lhes sobreviver durante mais tempo e, ao reproduzir-se, aumentar a frequência destes genes na população nas gerações seguintes. Assim, populações de uma mesma espécie sujeitas a ambientes diferentes vão ser distintas do ponto de vista genético.

A Baía de Bengala, localizada no norte do Oceano Índico, tem um conjunto de características únicas do ponto de vista ecológico: recebe a descarga do terceiro maior sistema fluvial do mundo – dos rios Ganges, Brahmaputra e Meghna – o que produz um enorme fluxo de sedimentos de água doce, ricos em nutrientes. Em águas mais profundas, o canhão submarino presente nesta região contribui ainda para o afloramento de águas ricas em nutrientes, originando assim um habitat ideal para várias espécies marinhas. O estudo agora publicado sobre as populações de golfinhos que habitam estas águas do Bangladesh vem reforçar estudos anteriores com outras espécies marinhas, que sugerem que este conjunto único de características são propícias à evolução de novas espécies.

Os investigadores recolheram, de forma minimamente invasiva, amostras de material para análise genética de golfinhos Tursiops aduncus e Sousa spp., comparado-as a amostras já existentes em bases de dados de golfinhos das mesmas espécies que habitam em áreas vizinhas. Ana Rita Amaral (cE3c e American Museum of Natural History), primeira autora do estudo, explica: “Este estudo vem reforçar a relevância que as análises genéticas têm para o conhecimento de populações de golfinhos em áreas remotas como é o caso da Baía de Bengala. Sem este tipo de estudos seria certamente mais difícil percebermos o quão diferentes estas populações são das populações em áreas vizinhas.”

Esta descoberta, obtida em colaboração com investigadores da Wildlife Conservation Society (EUA) e da National Oceanic and Athmospheric Administration (NOAA) (EUA), contribui para o conhecimento de como estas espécies de golfinhos evoluem ao longo do tempo. “Isto tem também fortes implicações para a gestão e conservação destas populações únicas e para a importância de as proteger das interações com as pescarias, uma das grandes ameaças que enfrentam”, conclui Ana Rita Amaral.

 

Fotografia de destaque da autoria de Rubaiyat Mowgli Mansur/WCS-Bangladesh.

Mapa da área de estudo cortesia da WCS.

 

Comunicado de imprensa preparado pela Wildlife Conservation Society (EUA) disponível aqui.

Press coverage: [Dhaka Tribune], [Phys.Org], [ASZ News], [Nature World News], [Science Daily], [The Daily Star], [InfoFCUL].

 

Referência completa do artigo:

Amaral, A.R., Smith, B.D., Mansur, R., Brownell Jr., R.L. & Rosenbaum, H.C. (2016) Oceanographic drivers of population differentiation in Indo-Pacific bottlenose (Tursiops aduncus) and humpback (Sousa spp.) dolphins of the northern Bay of Bengal. Conservation Genetics. Artigo disponível aqui.


Tags: EG

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