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Peritos avaliam risco de extinção das garoupas no mundo

13/12/2016. Texto por Marta Daniela Santos com base em comunicado de imprensa.

O investigador cE3c João Pedro Barreiros foi um dos trinta e cinco peritos que participou na reunião do Grupo de Especialistas em Garoupas e Bodiões da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que teve lugar entre 16 e 21 de novembro na ilha do Faial, Açores. A reunião teve como objetivo avaliar globalmente as 164 espécies de garoupas. Esta é apenas a segunda vez numa década que este Grupo de Especialistas se reuniu após o primeiro workshop, realizado em Hong Kong.

A IUCN é a maior e mais antiga união de conservação do mundo, composta por governos nacionais e ONGs. É mais conhecida pela Lista Vermelha que indica o estado de conservação de milhares de espécies de plantas e animais que foram avaliadas por especialistas em Grupos de Especialistas (SG), sob a égide da Comissão de Sobrevivência de Espécies (SSC). 

O workshop teve lugar no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e foi apoiado pela Unidade de Biodiversidade da IUCN. Trata-se de um workshop fundamental, na medida em que as reavaliações da Lista Vermelha devem ser concluídas pelo menos uma vez de dez em dez anos para determinar quaisquer mudanças ao longo de uma década. 

No caso das garoupas - das quais o mero, o badejo e o cherne são espécies bem conhecidas - revisitar a sua condição é particularmente importante devido à crescente pressão da pesca sobre estes peixes tão importantes para a subsistência e como fonte de alimento em muitas regiões do globo. Poucas populações de garoupas são regularmente monitorizadas e controladas eficazmente, e muitas estão em acentuado declínio. Devido à sua biologia de maturação lenta, longa vida e frequentes agregações de desova, muitas destas espécies são particularmente vulneráveis à sobrepesca, gerando grande preocupação.

Trinta e cinco peritos de 13 países reuniram-se nos Açores para esclarecer a situação atual destes peixes e identificar as espécies em maior risco de extinção no futuro, ajudando assim a promover práticas de exploração mais sustentáveis. As avaliações preliminares refletiram as preocupações crescentes quanto à condição de várias espécies de garoupas, em especial daquelas fortemente exploradas quando se agregam para desovar. Foi também reconhecida a necessidade urgente de recolher melhores dados sobre as pescarias de garoupa e de as gerir de forma muito mais eficaz do que a que temos hoje, se quisermos mante-las no futuro. 

O workshop foi co-organizado pela GWSG, pelo IMAR - Instituto do Mar baseado na Universidade dos Açores e pelo MARE - Centro de Investigação Marinha e Ambiental. O workshop foi financiado pela Fundação para a Conservação do Parque Oceânico (Hong Kong), pelo Mohammed bin Zayed Fund, pela Universidade de Hong Kong e pelo Governo Regional dos Açores.


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