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Novo estudo revela variações no uso de água em florestas costeiras da Mata Atlântica

29/03/2019. Texto de Cristina Antunes, editado por Marta Daniela Santos.

Um novo estudo, publicado na revista científica Plant and Soil, explora como as plantas de florestas tropicais costeiras gerem a utilização de fontes de água face a flutuações na disponibilidade de água.

Nas florestas tropicais costeiras, assentes em dunas e inundadas sazonalmente, tais como as florestas de restinga, as plantas têm de conseguir lidar com variações de água no solo. Uma das respostas possíveis é a alteração no uso da água em períodos de maior seca. Será que as plantas destas florestas mudam as suas fontes de água entre condições hídricas contrastantes? E será que flutuações na disponibilidade de água levam a uma estratégia de aquisição de recursos hídricos diferente entre espécies?

Para explorar estas e outras questões, uma equipa de investigadores de instituições portuguesas e brasileiras amostrou 15 espécies de plantas numa floresta de restinga da Mata Atlântica, no Parque Estadual da Serra do Mar (São Paulo, Brasil) e estimou de onde as plantas preferencialmente adquiriam água em duas condições de disponibilidade de água contrastantes.

“Verificámos que em períodos mais húmidos as plantas que estudámos usavam maioritariamente água da chuva presente nas camadas superficiais do solo, e que durante períodos mais secos estas plantas dependiam de camadas de solo mais profundas”, explica Cristina Antunes, primeira autora do estudo, investigadora de pós-doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

Os resultados revelaram uma variação sazonal no uso de fontes de água, sem diferenciação entre as espécies estudadas. Além disso, nem o tamanho da planta, nem maior densidade ou diversidade de espécies influenciou os padrões de utilização de fontes de água da comunidade deste ecossistema ecologicamente relevante.

Floresta de restinga da Mata Atlântica, no Parque Estadual da Serra do Mar (São Paulo, Brasil)

Este estudo mostra assim que as espécies dominantes da floresta de restinga têm variações dinâmicas no uso das fontes de água disponíveis, reajustando a sua profundidade de tomada de água, influenciadas pelo efeito combinado da humidade nas camadas superficiais do solo e alterações na profundidade do lençol freático. Sendo estas mudanças comuns entre as espécies, a comunidade lenhosa da floresta de restinga mostra ter uma estratégia comum na aquisição de água e releva competição pelos mesmos recursos hídricos.

“Estes resultados sugerem que uma redução mais extrema da disponibilidade da água, causada por exemplo pelo rebaixamento do lençol freático ou por precipitação reduzida, pode ter um impacto significativo neste ecossistema”, conclui Cristina Antunes.

Cristina Antunes e Cristina Máguas são as investigadoras do cE3c (FCUL) envolvidas neste estudo, do qual fazem parte também os investigadores Simone Vieira, Cinthia Silva e Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas, Brasil.

Referência do artigo:

Antunes C., Silva C., Máguas C., Joly C.A., Vieira S. (2019). Seasonal changes in water sources used by woody species in a tropical coastal dune forest. Plant and Soil

https://doi.org/10.1007/s11104-019-03947-9

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